Candidaturas Femininas à Câmara Reduzem em 24% para 2026
Estudo do Instituto Esfera aponta persistência de barreiras culturais e financeiras como principais entraves para a participação feminina na política.


A projeção para as eleições de 2026 na Câmara dos Deputados indica um recuo alarmante na representatividade feminina. Dados divulgados pelo Instituto Esfera apontam para uma diminuição de 24% no total de candidatas, estimando que aproximadamente 6.640 mulheres a menos devem concorrer em comparação com pleitos anteriores. Essa retração contraria o esperado avanço e acende um alerta sobre a efetividade das políticas de incentivo à participação feminina na política.
O estudo ressalta que, embora a legislação eleitoral brasileira preveja cotas de gênero para candidaturas, exigindo um mínimo de 30% de mulheres nas listas partidárias, essa medida por si só não tem sido suficiente. As barreiras identificadas são multifacetadas, envolvendo desde a distribuição desigual de recursos financeiros de campanha até a manutenção de preconceitos culturais que dificultam a ascensão feminina em espaços de poder.
Historicamente, a presença feminina no Congresso Nacional tem sido marginal. Desde a promulgação da Constituição de 1988, o número de deputadas nunca ultrapassou 18% do total de cadeiras, mesmo com a existência da cota de gênero. Esse panorama reflete a dificuldade em transformar a mera exigência de candidaturas em efetivas chances de eleição para as mulheres.
Os recursos financeiros destinados às campanhas femininas, por exemplo, continuam desproporcionais. Muitas vezes, as candidatas recebem menos apoio e visibilidade por parte de seus partidos, o que compromete sua capacidade de competir em igualdade de condições com os candidatos homens. A falta de investimento adequado é um dos principais gargalos apontados pelo Instituto Esfera.
Além das questões financeiras, os obstáculos culturais se manifestam em diversas formas, desde o machismo explícito até o "cansaço político" expresso por algumas mulheres diante da hostilidade do ambiente partidário. A dupla jornada, a dificuldade de conciliar a vida pessoal com a política e a violência de gênero no meio político são fatores que desestimulam a permanência e o ingresso de novas candidatas.
Para reverter esse cenário, especialistas e o próprio Instituto Esfera sugerem a necessidade de ações mais robustas e abrangentes. Não basta apenas cumprir a cota de candidaturas; é fundamental que haja um compromisso real dos partidos em promover a paridade de gênero, investindo em formação, financiamento equitativo e na criação de um ambiente político mais inclusivo e acolhedor para as mulheres.
A diminuição projetada de candidatas para 2026 serve como um chamado à reflexão sobre a necessidade urgente de reformular as estratégias e políticas. Sem uma representação feminina mais forte e equitativa, a democracia brasileira perde em diversidade de perspectivas e na capacidade de abordar questões que impactam diretamente a vida de metade da população.
Fonte: Câmara dos Deputados - Política
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