Assédio Moral: Empresa é Condenada por Contatar Funcionária Afastada
Decisão judicial em Minas Gerais reforça limites do poder empregatício durante licença médica.

Uma decisão recente da Justiça de Minas Gerais estabeleceu um importante precedente ao condenar uma empresa por assédio moral, após repetidos contatos com uma funcionária que estava em licença médica. A Justiça entendeu que a prática configura excesso do poder diretivo por parte do empregador, desrespeitando o período de recuperação e descanso da trabalhadora.
Durante o período de afastamento por motivos de saúde, a empregada foi acionada múltiplas vezes por ligações e mensagens, sendo solicitada a desempenhar tarefas ou a fornecer informações relacionadas às suas atividades profissionais. Essa conduta foi considerada pela Vara do Trabalho de Curvelo como uma invasão ao direito de repouso e recuperação da funcionária, essencial durante um período de licença médica.
O magistrado responsável pelo caso destacou que, embora o empregador tenha o direito de gerir suas atividades, essa prerrogativa não se estende a ponto de interferir no bem-estar de um funcionário afastado por questões de saúde. A expectativa é que o trabalhador se recupere plenamente, e interrupções ou demandas laborais durante este período podem prejudicar a melhora.
A indenização foi fixada em R$ 3.000, um valor simbólico que, contudo, serve como reprimenda à conduta da empresa e como alerta para outros empregadores. A decisão ressalta a importância de respeitar o tempo de licença médica, que visa a recuperação do empregado e não deve ser perturbado por demandas de trabalho.
Especialistas em direito trabalhista alertam que situações como esta não são isoladas e reforçam a necessidade de as empresas estabelecerem políticas claras sobre a comunicação com funcionários em licença. A busca por informações urgentes deve ser feita através de canais apropriados e, preferencialmente, por meio de colegas ou superiores que possam acessar os dados necessários sem perturbar o trabalhador em recuperação. A decisão representa um avanço na proteção dos direitos dos trabalhadores e na promoção de um ambiente de trabalho mais saudável.
Fonte: Poder360
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