Falta de Acolhimento afasta estudantes LGBTQIA+ das escolas
Pesquisas revelam alta taxa de evasão e preconceito no ambiente educacional, destacando a necessidade de políticas inclusivas.
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A evasão escolar entre estudantes LGBTQIA+, especialmente a população trans, alcança índices preocupantes, impulsionada pela ausência de acolhimento e a prevalência do preconceito nas instituições de ensino. Uma pesquisa nacional recente da Aliança Nacional LGBTI+ revela que cerca de 90% desses alunos são vítimas de agressão verbal, e 60% dos jovens trans já pensaram em abandonar a escola, um cenário que demonstra a fragilidade da inclusão educacional.
No cenário local, um estudo do Instituto de Pesquisa e Estatística do (IPEDF) aponta que menos da metade da população LGBTQIA+ alcança o ensino superior, índice que cai para 26,1% entre pessoas trans, significativamente abaixo da média cisgênero. Além disso, 50% dos estudantes da rede pública foram vítimas de violência sistemática, com 17,1% dos casos motivados por orientação sexual. Professores também demonstram pouca capacidade em abordar a LGBTI+fobia em sala de aula.
Essa realidade motivou o professor Marcus Maciel a escrever o livro "Pajubá me acuendou da escola", que narra histórias de superação de pessoas trans que enfrentaram a exclusão. A obra, que será lançada em breve, ressalta como a linguagem e a identidade podem levar à marginalização, mas também à resiliência. Personalidades como Jaqueline Gomes de Jesus, psicóloga e a primeira mulher trans a receber o Diploma Bertha Lutz, são exemplos de sucesso apesar dos desafios no ambiente acadêmico.
Educadores, como o psicólogo Vinícius Mota do Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit), atuam na linha de frente para mudar essa situação. Mota criou um projeto premiado nacionalmente focado no acolhimento de estudantes LGBTQIA+, reforçando que esses alunos não evadem, mas são "evadidos" por um sistema que não respeita seus nomes sociais, identidades e segurança. Ele enfatiza a necessidade de dados concretos para formular políticas públicas eficazes.
A Secretaria de Educação, por sua vez, afirma promover ações formativas sobre diversidade sexual, prevenção da homotransfobia e acolhimento, incluindo temas como uso do nome social e retificação de documentos. No entanto, a ausência de dados quantificados sobre a evasão e a experiência LGBTQIA+ nas escolas dificulta a avaliação da efetividade dessas medidas e a criação de estratégias mais direcionadas.
A comunidade e especialistas pedem um esforço conjunto para criar espaços educativos verdadeiramente inclusivos. A transformação do ambiente escolar em um local seguro e respeitoso é fundamental para garantir o direito à educação e ao desenvolvimento pleno de todos os estudantes, independentemente de sua identidade de gênero ou orientação sexual. A falta de acolhimento não apenas afasta talentos, mas perpetua desigualdades sociais e educacionais.
Fonte: G1 DF
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