Estudo revela disparidade: Gasto com polícia é 5 mil vezes maior que apoio a egressos
Pesquisa do Justa aponta que estados concentram recursos em segurança ostensiva, negligenciando reinserção social de ex-detentos.

Uma nova edição da pesquisa “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, conduzida pelo centro Justa, expõe uma alocação de recursos drasticamente desequilibrada por parte dos governos estaduais. O levantamento, que analisou o orçamento de 26 unidades federativas, aponta que o investimento em forças policiais é 5 mil vezes superior ao destinado a programas de apoio a egressos do sistema prisional, com R$ 5.423 para as polícias contra R$ 1 para a reinserção social.
Essa distribuição de verbas evidencia um modelo que prioriza a porta de entrada do sistema de justiça criminal. Em 2025, enquanto R$ 103,5 bilhões foram direcionados às polícias, o sistema prisional recebeu R$ 22,3 bilhões, e as políticas exclusivas para egressos somaram apenas R$ 19 milhões. Tal cenário reflete, segundo a coordenadora de pesquisas do Justa, Taciana Santos, a influência da “bancada da bala” e do populismo penal na política, onde a insegurança é instrumentalizada como bandeira eleitoral.
Dentro do próprio orçamento policial, há uma desproporção. As Polícias Militares, responsáveis pelo policiamento ostensivo, absorveram 58,6% da verba total das polícias, com R$ 60,7 bilhões. Em contrapartida, as Polícias Civis, encarregadas das investigações, receberam R$ 22,2 bilhões (21,5%), e as Polícias Técnico-Científicas, essenciais para perícias e provas, ficaram com apenas R$ 2,8 bilhões (2,7%). Essa concentração no policiamento ostensivo, de acordo com Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa, sustenta um modelo de encarceramento em massa e fragiliza a apuração de crimes.
O estudo também revelou que, dos R$ 22,3 bilhões investidos no sistema prisional em 2025, aproximadamente R$ 13,7 bilhões — cerca de 60% do total — são gastos com o encarceramento de pessoas negras. A análise, que cruzou dados estaduais com informações do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen), reforça a tese de que o Brasil “prende muito e prende mal”, segundo Zaffalon, com uma maioria de pessoas presas sendo pobre e negra, muitas vezes entregues a facções criminosas.
Embora os gastos com o sistema prisional se mantenham relativamente estáveis, os aumentos identificados visam, principalmente, a expansão da estrutura carcerária. No entanto, reduções ocorrem em áreas cruciais como alimentação e saúde dos apenados, contribuindo para a precarização das condições e a violação de direitos. Em 2024, esses gastos totalizaram R$ 21,9 bilhões.
Na “porta de saída” do sistema, os investimentos em políticas para egressos permanecem estagnados, com um modesto aumento de R$ 18 milhões em 2024 para R$ 19 milhões em 2025. Apenas sete unidades federativas investiram nessas políticas em 2025. Luciana Zaffalon destaca a importância dessas iniciativas para facilitar o acesso a documentação, moradia, saúde, educação, trabalho e renda, fundamentais para a reconstrução da vida pós-pena. Contudo, a escassez de recursos nessa área limita severamente as chances de reinserção social e pode favorecer a reincidência.
Estados como São Paulo (R$ 13,3 milhões) e Ceará (R$ 3,8 milhões) lideram o investimento nessa área, enquanto outros, como Tocantins, que possuía dotação orçamentária, não utilizaram os recursos destinados aos egressos. A pesquisa enfatiza que essa lacuna orçamentária entre a entrada e a saída do sistema criminal cria um ciclo vicioso que impede a eficácia da segurança pública em um sentido amplo.
Fonte: Agência Brasil - Política
Leia também
SaúdeJustiça eleva para R$ 35 mil indenização por racismo na Uerj
A Justiça do Rio de Janeiro aumentou para R$ 35 mil a indenização individual que a Uerj terá que pagar a três estudantes por danos morais devido à discriminação racial. As candidatas, autodeclaradas negras, foram obrigadas a prender os cabelos em um processo seletivo, uma exigência não imposta aos demais participantes. O caso foi considerado discriminação indireta e racismo institucional pela 7ª Câmara de Direito Público.
SaúdePaula Belmonte defende acesso à água e cobra melhorias no abastecimento
A candidata ao Governo do Distrito Federal Paula Belmonte (PSDB) defendeu o acesso à água potável e a preservação dos recursos hídricos do DF durante o III Ato Político em Defesa das Águas, do Clima e do Meio Ambiente. O evento, realizado na Igreja Anglicana Brasília, reuniu entidades e movimentos da sociedade civil para debater temas como segurança hídrica e saneamento básico. Paula destacou a importância de um planejamento territorial adequado para garantir serviços básicos como água, esgoto, educação e saúde.
SaúdePesquisa aponta que apostas online podem gerar rápido endividamento
Uma pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ) na Região Metropolitana do Rio de Janeiro revela que apostas online, que movimentam R$ 2,2 bilhões anualmente, podem levar ao endividamento e a problemas de saúde mental. O levantamento indica que 22,8% dos moradores já participaram de apostas, com muitos buscando ganhos rápidos ou renda extra. No entanto, 5,1% se endividaram devido a esse hábito, e 42% admitem voltar a apostar para tentar recuperar perdas.
Mais lidas
- 1Nara Ayres Britto, advogada e filha de ex-ministro, celebra casamento
- 2Filha mata pai cadeirante em Bragança Paulista e transmite crime online
- 3Plataforma Fatal Model busca investidores na XP Expert para expansão
- 4Lula Eleva Herói da Guerra do Paraguai a Marechal Honorífico
- 5PM-GO sob investigação por agressão brutal durante abordagem em Formosa