Recorde de interdições em clínicas e salões de estética no Cerrado
Vigilância Sanitária registra alta inédita de fechamentos; morte de professora em Ceilândia agrava alerta sobre procedimentos invasivos
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A Vigilância Sanitária do Governo Federal (GDF) alcançou um patamar inédito de interdições de salões e clínicas de estética no ano de 2026, com 125 estabelecimentos fechados até o momento. O número já representa um aumento significativo em comparação com os anos anteriores, demonstrando um recrudescimento nas ações de fiscalização. Em 2025, foram 155 interdições, enquanto em 2024 apenas 18, o que indica um crescimento de 594% nos fechamentos nos últimos três anos.
A intensificação da fiscalização ocorre em meio a preocupações crescentes com a segurança de procedimentos estéticos. Um trágico incidente recente em Ceilândia, onde uma professora de 50 anos faleceu após receber a aplicação de um complexo vitamínico em um salão de beleza, ampliou o debate sobre a prática de procedimentos invasivos por profissionais não habilitados e em locais irregulares. A responsável pela aplicação se identificou como biomédica, mas não possuía registro profissional, e o salão operava sem licença sanitária.
A diretora da Vigilância Sanitária, Márcia Olivé, ressalta que procedimentos que utilizam agulhas ou envolvem substâncias injetáveis são considerados de alto risco. Tais intervenções, que exigem rigorosas condições de biossegurança e infraestrutura específica, devem ser realizados exclusivamente em estabelecimentos de saúde devidamente licenciados e com vistoria prévia da Vigilância. A inspeção abrange desde a documentação e habilitação dos profissionais até o projeto arquitetônico e as normas de biossegurança.
Além do aumento das fiscalizações proativas, a Vigilância Sanitária também notou um crescimento exponencial nas denúncias recebidas pela Ouvidoria do GDF. Até agosto de 2026, foram registrados 144 relatos, evidenciando uma maior conscientização e preocupação da população com a segurança dos serviços estéticos. O órgão reitera o alerta de que salões de beleza não estão autorizados a realizar procedimentos invasivos ou aplicações injetáveis, sob pena de interdição e outras sanções.
A Polícia Civil está investigando a morte da professora, Lidiane Gomes de Souza Alves, que ocorreu horas após o procedimento em Ceilândia. O delegado Petter Ranquetat, da 23ª DP (P Sul), indicou que a apuração inicial foca nos crimes de exercício ilegal da profissão e homicídio, podendo ser classificado como culposo ou doloso. Frascos da substância utilizada foram apreendidos para análise, e a polícia aguarda laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e do Instituto de Criminalística para esclarecer a causa do óbito e as circunstâncias da aplicação.
Este cenário reforça a importância de que a população busque sempre informações sobre a qualificação dos profissionais e a regularização dos estabelecimentos antes de se submeter a qualquer procedimento estético. A segurança e a saúde devem ser a prioridade, optando por locais que demonstrem total conformidade com as exigências sanitárias e legais.
Fonte: G1 DF
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