Presidente do Irã acusa EUA e Israel de terrorismo na ONU


O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, chamou os Estados Unidos e Israel de responsáveis por ações terroristas contra o país em seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas nesta quarta-feira (23.set.2026). A fala veio em resposta ao discurso do presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), no dia anterior.
Pezeshkian afirmou que mudou sua fala depois do pronunciamento de Trump, na terça-feira (22.set), em que o republicano disse considerar “aniquilar o Irã” e mandar o país “para o inferno” caso não houvesse um acordo. Irã e EUA estão em guerra desde fevereiro de 2026.
O iraniano negou as acusações de terrorismo e disse que EUA e Israel são os “verdadeiros” responsáveis por ações terroristas, por alvejarem civis e violarem o direito internacional.
A comitiva norte-americana se levantou e deixou o plenário logo no início da fala do presidente iraniano. Na praxe diplomática da Assembleia Geral, representantes de países com posições contrárias costumam adotar esta postura durante o discurso do rival como sinal de condenação.
“Eles nos acusam de terrorismo, mas eles são responsáveis por ações terroristas, alvejando civis e rompendo leis internacionais. Eles nos atingiram e nós reagimos, mas nós nunca alvejamos civis. Os EUA violaram leis internacionais. Israel alveja qualquer vizinho e comete assassinatos em Gaza, onde 85.000 civis foram brutalmente assassinados”, declarou Pezeshkian.
Para embasar sua versão, o presidente exibiu imagens durante o discurso; entre elas, um pôster do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto no 1º dia de ataques norte-americanos, em 28 de fevereiro, e fotos de crianças de uma escola supostamente bombardeada pelos EUA.
Pezeshkian mencionou também a cidade de Lome, onde um ginásio esportivo teria sido atacado com armas de múltiplas ogivas pelos Estados Unidos enquanto crianças brincavam no local. “Assassinaram nossos cientistas, nossos homens, mulheres e crianças; crianças inocentes que não tinham cometido crime algum, pecado algum”, afirmou.
O presidente iraniano declarou que uma paz duradoura no Oriente Médio é impossível “sem justiça para a Palestina” e que “questões nucleares não serão resolvidas no campo de batalha”. Afirmou ainda que o Irã não enxerga os países vizinhos do Golfo Pérsico como rivais de segurança.
Sobre o programa nuclear, Pezeshkian disse que o Irã não abre mão da tecnologia nuclear para fins pacíficos, citando aplicações em saúde, agricultura e geração de energia. Ele acrescentou ainda que o país não busca autorização de ninguém para se defender.
“Eles nos impuseram a guerra. Mas nós provamos que não temos medo de lutar uma guerra que seja de natureza defensiva, e defenderemos o nosso amado Irã, a nossa pátria, até o nosso último suspiro”, destaca.
Ao mencionar Israel, o presidente iraniano criticou o que chamou de duplo padrão da comunidade internacional: “A arma nuclear está em Israel, mas os inspetores estão no Irã. Israel mata, mas o Irã é sujeito a sanções”.
Ao encerrar o discurso, Pezeshkian disse que o país está disposto ao diálogo e à diplomacia, mas não à capitulação: “Estamos prontos para o diálogo, para a diplomacia e para negociações, sem aceitar a linguagem da força”.
Fonte: Poder360
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