Pogust pede remoção de seu nome de escritório de advocacia em Londres


O advogado norte-americano Harris Pogust publicou um texto no LinkedIn na quarta-feira (23.set.2026), no qual informou ter pedido a retirada de seu nome do escritório PG (Pogust Goodhead) em Londres.
O PG representa as vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, em uma ação contra a mineradora BHP na Justiça britânica.
Pogust havia fundado o escritório de advocacia em 2018 com Tom Goodhead e saiu em dezembro de 2024. Goodhead foi afastado do cargo de CEO do PG em agosto de 2025 e, em setembro de 2025, também deixou o escritório.
Na postagem, Pogust criticou a possibilidade de o PG exigir pagamento das vítimas que optem por outro escritório para representá-las na ação.
“Pessoas recebem o salário médio no Brasil de pouco mais de US$ 10.000 por ano e agora esse escritório de advocacia, em quem elas confiaram de corpo e alma, ameaça processá-las porque querem outro escritório????” escreveu Pogust em inglês.
Goodhead afirmou, por meio de nota, que apoia a decisão do ex-sócio (leia a íntegra mais abaixo). “Eu entendo completamente por que Harris tomou essa decisão”, afirmou. Declarou também que prepara pedidos a serem apresentados à Justiça britânica sobre o tema, sem especificar quais. Ele conseguiu decisão judicial no Brasil, em junho de 2026, que impede o PG de usar o nome Pogust Goodhead no país. Leia a íntegra (PDF – 204 kB).
O PG, por meio de nota (leia a íntegra mais abaixo), disse que “planeja há algum tempo a mudança de nome e não tem qualquer intenção de manter vínculos com pessoas que já não fazem parte da estrutura da firma”.
O Tribunal Superior de Londres decidiu, em novembro de 2025, que a mineradora BHP é culpada pelo rompimento da barragem de Fundão da Samarco em Mariana (MG) em 2015. A BHP e a Vale são proprietárias da Samarco.
Atualmente, o PG e o BGI (Bailey Glassler International) disputam a representação das vítimas de Mariana. O BGI é o braço internacional do escritório Bailey & Glassler dos EUA e contratou, em 17 de setembro, Goodhead, quatro advogados que foram sócios do PG e outros dois advogados que atuaram no PG no caso das vítimas de Mariana.
Haverá uma audiência em 5 e 6 de outubro de 2026 em Londres para ouvir representantes dos dois escritórios sobre a condução do caso.
O comitê de representantes das vítimas decidiu passar a representação ao BGI. Há controvérsia se a decisão vale para vítimas que não integram o grupo. O PG afirmou na nota que a mudança de representação poderá resultar em custos, e que isso não será decidido pela Justiça em outubro.
O cálculo do valor da indenização será uma nova fase no processo em Londres, com início previsto para 2027 e duração de vários anos. Estima-se que o valor total das indenizações chegue a £ 36 milhões (R$ 247 milhões).
“Eu entendo completamente por que Harris tomou essa decisão. Harris e eu estamos profundamente entristecidos ao ver um escritório que construímos para ‘mudar o mundo, um caso de cada vez’ chegar ao extremo de processar mais de 420 mil de seus próprios clientes.
“Eu já ajuizei uma ação no Brasil para impedir que continuem utilizando meu nome no país e agora estou preparando diversas medidas judiciais no Reino Unido.
“É absolutamente fundamental que os clientes entendam que nem Harris nem eu temos qualquer vínculo com um escritório que processa as próprias vítimas do desastre da barragem de Mariana que afirma representar.”
Sobre o pedido de Pogust para a retirada de seu nome e a decisão judicial que impede o uso do nome Pogust Goodhead no Brasil, a declaração do PG é esta:
“Harris Pogust não tem qualquer envolvimento na gestão ou nas operações do escritório há aproximadamente 3 anos, e nenhum dos 2 antigos fundadores exerce atualmente qualquer função na administração da firma.
“O escritório já planeja há algum tempo a mudança de nome e não tem qualquer intenção de manter vínculos com pessoas que já não fazem parte da estrutura da firma. O escritório já seguiu em frente em relação à sua antiga liderança, e seu nome deve refletir essa nova realidade.”
Sobre a eventual cobrança de clientes que trocarem o escritório que os representa na Justiça britânica, a declaração do PG é esta:
“O que está em discussão é se um grupo de representantes pode tomar essa decisão coletivamente em nome de centenas de milhares de pessoas e submetê-las às consequências contratuais, financeiras e processuais dessa mudança sem que cada cliente faça sua própria escolha de maneira informada. A posição do PG é muito clara: cada cliente tem o direito de escolher quem deseja que o represente.
“A audiência de 5 e 6 de outubro será exclusiva sobre a questão da autoridade do Comitê e a disputa relativa à mudança de representação, esclarecendo quais escritórios representam quais autores. Discussões sobre a existência de justa causa só serão examinadas posteriormente, se necessário, de acordo com os contratos aplicáveis e as decisões do Tribunal.”
Fonte: Poder360
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