Austrália propõe lei para mudar feed de redes sociais e voltar ao modelo de 2006


Parabéns/lamentamos – hoje celebramos o 20º aniversário do nascimento da internet como a conhecemos hoje.
Imagino que haja inúmeros candidatos para esse título. O lançamento do iPhone, em 2007? O lançamento do Google AdSense, em 2003? O 1º vídeo do YouTube, em 2005? Todos merecedores da indicação.
Mas, para mim, foi a estreia do Feed de Notícias do Facebook. Em 2006, no dia seguinte ao Dia do Trabalho, a engenheira do Facebook, Ruchi Sanghavi, escreveu em seu blog sobre o que ela chamou de “reestilização” do Facebook:
“Você provavelmente já percebeu que o Facebook está diferente hoje. Adicionamos 2 recursos interessantes: o Feed de Notícias, que aparece na sua página inicial, e o Mini-Feed, que aparece no perfil de cada pessoa.
“O Feed de Notícias destaca o que está acontecendo nos seus círculos sociais do Facebook. Ele atualiza uma lista personalizada de notícias ao longo do dia, para que você saiba quando o Mark adiciona Britney Spears aos favoritos ou quando seu crush está solteiro(a) novamente. Agora, sempre que você fizer login, receberá as últimas manchetes geradas pela atividade dos seus amigos e grupos sociais…
“Essas funcionalidades não são apenas diferentes de tudo o que já tivemos no Facebook, mas também são completamente diferentes de tudo o que você encontra na internet. Esperamos que essas mudanças ajudem você a ficar mais por dentro da vida dos seus amigos”.
Antes disso, receber notícias dos seus amigos significava visitar a página de cada um deles no Facebook, um por um. Não era muito diferente dos “facebooks” impressos das faculdades que inspiraram o nome – um conjunto de páginas que você deveria folhear, procurando por pessoas específicas. Mas combinar tudo em um único feed significava que o Facebook não era mais só um repositório de pensamentos dispersos dos seus amigos – ele os jogava bem na sua frente. Como Michael Arrington escreveu no TechCrunch:
“É interessante porque o Facebook claramente entendeu a ideia de um metafluxo de atenção, onde visualizações de página não são a moeda que importa, mas sim a eficácia com que o serviço permite que os usuários se comuniquem. Os usuários do Facebook agora terão uma maneira muito mais fácil de se manterem atualizados sobre o que seus amigos estão fazendo. Isso pode significar menos visualizações de página para o Facebook a curto prazo, já que os usuários raramente precisam sair da página inicial/administrativa para ver o que está acontecendo com os amigos, mas se isso fizer com que os usuários gostem mais do Facebook (será que isso é possível?), valerá a pena no final”.
(Nossa, será que é possível os usuários amarem ainda mais o Facebook?!).
Os usuários odiaram a ideia, chegando a protestar em frente aos escritórios do Facebook. Uma coisa era postar sobre o término de um relacionamento em um lugar onde seus amigos mais próximos pudessem ver; outra, bem diferente, era divulgá-lo em alto-falantes, como se estivesse em um dormitório universitário. Mas as pessoas se adaptaram, os protestos cessaram e nasceu um dos maiores negócios da história da humanidade – que logo seria replicado, de uma forma ou de outra, em praticamente todos os produtos digitais.
Assim, é de certa forma apropriado que hoje marque um dos esforços mais significativos de um governo nacional para regulamentar e interromper os feeds do Facebook – tratando-os mais como um serviço público do que como um produto de uma empresa privada.
O governo de Anthony Albanese, premiê da Austrália, anunciou sua proposta de “Dever de Cuidado Digital” para as principais plataformas on-line, que inclui a exigência de que os australianos possam “desativar” os algoritmos que inserem conteúdo de pessoas e empresas que você não segue em seus feeds. (Em termos de relações públicas, “Meu Feed, Meu Jeito”). Em outras palavras, é uma opção que o faria retornar ao Feed de Notícias do Facebook de 2006.
“Segundo uma proposta do governo federal para ‘empoderar’ as pessoas on-line, todos os australianos poderão escolher se querem ou não que seu conteúdo nas redes sociais seja filtrado por algoritmos.
“O Partido Trabalhista buscará apoio para um sistema de adesão/recusa, no qual plataformas como TikTok, Instagram ou Facebook seriam obrigadas a enviar aos titulares das contas uma notificação push, pedindo que eles decidam se desejam receber conteúdo recomendado.
“Os controles algorítmicos das redes sociais estão abrangidos por projetos de lei mais amplos sobre o ‘Dever de Cuidado Digital’, que transferem a responsabilidade para as grandes empresas de tecnologia, para que reduzam proativamente os danos previsíveis ou enfrentem multas superiores a 100 milhões de dólares”.
O projeto de lei exigiria que as plataformas permitissem aos usuários desativar todo o conteúdo recomendado – e, mais importante para o Facebook, bloquear toda a publicidade direcionada (não exige que as plataformas ofereçam opções sem anúncios; um usuário que desativasse a publicidade direcionada simplesmente receberia anúncios não direcionados). O projeto de lei também daria aos usuários o direito de redefinir o perfil de dados que uma plataforma usa para direcionar conteúdo a eles.
“Assim como temos normas básicas de segurança para carros, brinquedos ou alimentos, o dever de cuidado aplica normas básicas aos produtos online que usamos diariamente”, disse a ministra das Comunicações, Anika Wells. Essa proposta de máquina do tempo na internet será agora submetida à aprovação do parlamento australiano.
Fonte: Poder360
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